O mercado brasileiro de feijão começa 2026 com um sinal de alerta: os estoques estão baixos, equivalentes a cerca de 15 dias de consumo. Essa questão pode fazer os preços da leguminosa subirem ao consumidor nos próximos meses. O risco maior recai sobre o feijão-carioca, item básico da alimentação das famílias de menor renda.
A situação dos estoques é agravada pela queda contínua da produção. A área plantada diminui ano após ano, pressionada por preços historicamente baixos e pela concorrência com culturas mais rentáveis, como soja e milho. A produção de carioca está estimada em 321,4 mil toneladas, 7,5% menos que na primeira safra da temporada passada.
A demanda fraca impede reação imediata dos preços. A principal explicação está na fraqueza da demanda doméstica. Estudo indica que o brasileiro consumia em média 23 quilos de feijão por ano na década de 1961 a 1970. Em 2024, atingiu o menor índice da série, com 14 quilos per capita.
A queda reflete mudanças no padrão alimentar do brasileiro, com perda de espaço do feijão no prato e maior consumo de alimentos industrializados. A temporada atual pode registrar a menor safra de feijão-carioca em 20 anos, o que historicamente resulta em maior volatilidade de preços no varejo.