Marcos Pollon tem mandato suspenso por 60 dias pelo Conselho de Ética da Câmara

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiu pela suspensão do mandato do deputado Marcos Pollon por 60 dias. A decisão foi tomada em [...]
Pollon foi eleito pelo PL em Mato Grosso do Sul. — Foto: Pollon foi eleito pelo

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiu pela suspensão do mandato do deputado Marcos Pollon (PL) por um período de 60 dias. A votação, ocorrida na terça-feira (9), resultou em nove votos favoráveis à penalização, enquanto quatro deputados se manifestaram contra. Não houve abstenções durante a sessão.

A representação, número 26/2025, foi apresentada pelo deputado Ricardo Maia (MDB-BA). Embora o relator inicialmente tenha solicitado uma suspensão de 90 dias, na última sessão, realizada em 19 de maio, recomendou que a suspensão fosse reduzida para 60 dias. A condução da sessão ficou a cargo do presidente do Conselho, deputado Fábio Schiochet (União-SC), que ressaltou que, após o processo, o deputado poderá recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados formalizou a representação contra Pollon, acusando-o de proferir ofensas de caráter pessoal contra o presidente da Câmara, Hugo Motta. Durante a sessão, Pollon teve 10 minutos para se defender e expressou sua insatisfação com a punição, enfatizando que a penalização por opiniões não deveria ser admissível no espaço legislativo. "Estamos caminhando para uma democracia onde o Judiciário modula as leis punindo as pessoas por emitir opiniões", afirmou.

Essa não é a primeira vez que o Conselho analisa questões relacionadas a Pollon. O colegiado já havia examinado outra representação contra ele, relacionada à ocupação da Mesa Diretora. Com a decisão atual, o deputado de Mato Grosso do Sul estará afastado de suas funções por dois meses, embora ainda tenha a possibilidade de recorrer da decisão, o que pode levar à reversão da suspensão.

Pollon, que se diz alvo de perseguição, argumentou que a suspensão tem como objetivo silenciar aqueles que se recusam a se submeter e que se levantam em defesa dos que não têm voz. O desfecho da votação gerou reações entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, com figuras como Eduardo Bolsonaro (PL) e Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestando apoio ao deputado. Ferreira, que ocupa o cargo de terceiro vice-presidente da CCJ, se comprometeu a ajudar na reversão da decisão do Conselho de Ética, enquanto Pollon já havia feito um pedido de recurso na CCJ.

Essa situação levanta questões sobre os limites da liberdade de expressão no âmbito legislativo e a relação entre os parlamentares e a Mesa Diretora, em um contexto onde a polarização política continua a ser um tema central no debate público.

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